Não vá! Seja enviado


por Ronaldo Lidório

Percebo que cresce o número de missionários que desejam caminhar de forma independente, sem serem enviados por uma igreja local e sem prestar contas a alguma liderança. Há também igrejas que não creem no envio missionário ou não desejam participar desse processo.

Parece-me que a Bíblia dá clara importância ao processo do envio missionário, coordenado por Deus e envolvendo tanto a igreja quanto os vocacionados. Em Atos 13, nos versos 1 a 4, lemos que a igreja em Antioquia estava orando e jejuando quando ouviu a voz do Espírito Santo e impôs as mãos sobre Paulo e Barnabé para que chegassem aos gentios, segundo a vontade de Deus. Vejamos como o processo aconteceu.

O verso 1 fala sobre aqueles que eran reconhecidamente líderes na igreja em Antioquia. O verso 2 destaca que Paulo e Barnabé “serviam ao Senhor”, demonstrando que possuíam vida com Deus e testemunho entre os irmãos. Logo depois declara que o próprio Espírito Santo falou com a igreja para que os separasse “para a obra a que os tenho chamado”, que era a evangelização dos gentios. Não sabemos como a igreja ouviu a voz do Espírito, mas a Palavra esclarece a sua postura de busca, oração e submissão ao ouvi-la. O verso 3 afirma que a igreja (possivelmente os líderes) impôs as mãos sobre Paulo e Barnabé e os despediu. Despedir, do grego ‘apoluo’, significa “não reter”, ou seja, soltar as amarras ou abrir a porta para que alguém saia. O verso 4 narra que eles, enviados pelo Espírito Santo, logo seguiram para Chipre cumprindo a missão.

A declaração de que foram “enviados pelo Espírito Santo” não exclui a igreja ou os missionários desse processo, ao contrário, os inclui. Enviar, do grego ‘ekpempo’, significa “fazer sair”. A figura nos versos 3 e 4 é da igreja abrindo a porta e do Espirito Santo fazendo Paulo e Barnabé saírem. Assim, a narrativa do texto demonstra que todo o processo de enviar e ser enviado se deu na igreja de Deus (v 1), foi elaborado pela iniciativa de Deus (v 2), conduzido na relação com Deus (v 3) e finalizado por Deus (v 4). O papel da igreja ao enviar e do missionário a ser enviado, portanto, é fazer a vontade de Deus.

A imposição de mãos possuía um significado específico entre romanos e gregos no primeiro século. Compreendê-lo também nos ajuda a perceber a responsabilidade de enviar e o privilégio de ser enviado.

Sinal de autoridade

Esse “impor de mãos” em Atos 13 remonta ao grego clássico quando um pai impunha suas mãos sobre o filho que lhe sucederia na liderança da família, uma transferência de autoridade. Para Paulo e Barnabé indicava que eles possuíam a autoridade eclesiástica para fazer o que a igreja faria, mesmo onde ela não estivesse presente como congregação. É, portanto, ao mesmo tempo uma carga de autoridade e responsabilidade. Eles poderiam pregar a Palavra, orar pelos enfermos e confrontar os incrédulos com o evangelho, mas ao mesmo tempo precisariam também compartilhar da mesma fidelidade e dedicação que existia naquela comunidade dos santos em Antioquia. Prestariam contas à igreja.

Sinal de reconhecimento

A imposição de mãos também era usada em momentos oficiais, como na cidade de Alexandria, quando vinte oficiais foram escolhidos para guardar a entrada da cidade que sofria com frequentes ataques de nômades. Sobre eles foram impostas as mãos em sinal de reconhecimento de que eram dotados das qualidades para aquela função. Para Paulo e Barnabé, significava que a liderança da igreja reconhecia não apenas o chamado (que era claro), mas também a maturidade e dons para cumprirem a missão.

Sinal de cumplicidade

Encontramos também no contexto imperial o “impor de mãos” no sentido de cumplicidade, quando generais eram enviados a terras distantes para coordenar uma província. As autoridades enviadoras impunham as mãos demonstrando que os enviados não seriam esquecidos. Permaneciam como parte do corpo mesmo não estando entre eles. Para Paulo e Barnabé, era o equivalente a dizer que, por mais distante que fossem, permaneceriam ligados à igreja de Antioquia. E que essa igreja continuaria responsável por eles, amando-os, orando por suas vidas e sustentando-os em suas necessidades. Havia, portanto, um forte vínculo de relacionamento entre a igreja enviadora e os missionários enviados. Esse vínculo, porém, não se fundamentava prioritariamente no compromisso humano ou em um projeto de trabalho, mas na profunda convicção de que enviadores e enviados estavam fazendo a vontade de Deus, o qual inicia, autoriza e coordena toda a ação. Ao fim do dia, sendo a igreja que envia ou os missionários que vão, é isto que nos fundamenta: a profunda convic- ção de que estamos fazendo a vontade do Pai. Impor as mãos como sinal de autoridade e reconhecimento não é tão desafiador para a igreja como em sinal de cumplicidade, pois ser cúmplice implica em algo contínuo que demanda dedicação, amor e prolongado cuidado. Ter as mãos impostas como sinal de reconhecimento e cumplicidade não é tão desafiador para o missionário como em sinal de autoridade, pois aponta para a necessidade do missionário respeitar, submeter- -se e prestar contas à igreja.

É certo que todo salvo em Cristo é chamado por Deus (1 Pedro 2:9). Chamado para a oração, adoração, comunhão, testemunho, Palavra e proclamação do evangelho. E em meio a todos os salvos Ele também chama alguns para ministérios específicos (Efésios 4:11), a fim de que a igreja seja edificada e que o evangelho seja propagado.

Ao vocacionado ao ministério, eu aconselho: não vá, seja enviado. Envolva-se com sua igreja local a fim de que o seu chamado e dons sejam reconhecidos, a voz do Espírito seja ouvida e você seja enviado pela igreja e como parte da igreja.

Aos pastores e líderes, dois conselhos: (1) Não retenham aqueles que Deus tem chamado. Envie-os em nome de Jesus para que o evangelho de Jesus seja proclamado e o Seu nome glorificado. (2) Não enviem para longe aqueles que não são uma bênção perto. Quem não possui um bom testemunho perto não o terá longe. Observem o testemunho de vida, a convicção do chamado e o preparo para o ministério antes de envia-los.

Entendo que alguns vocacionados ao ministério sofrem pela falta de consciência missionária da própria igreja local ou de sua liderança perante o seu chamado. Muitos aguardam um encorajamento e apoio que nunca chegam, o que lhes traz frustração e desencorajamento. Nesse cenário, o primeiro passo é orar. Ore por sua igreja e por seus líderes, para que sejam conduzidos por Deus a entender a forma e o tempo certo para o seu envio. Deus ouve as orações. Em segundo lugar invista. Invista na vida de seus pastores e líderes para o estudo da Palavra sobre a missão. Tenho visto muitos pastores com uma visão missionária despertada após terem lido um bom livro ou ouvido uma exposição bíblica sobre a missão. Em terceiro lugar testemunhe. Não aguarde ser enviado para servir a Cristo, envolva-se com sua igreja local e desafios missionários ao seu redor. Sobretudo, não desanime. Aquele que o chamou há também de envia-lo, para que o evangelho seja pregado e o nome de Deus seja glorificado entre todas as nações.

Artigo publicado originalmente no site da Agência Presbiteriana de Missões Transculturais – APMT em 16 de junho de 2017

10 passos para se tornar um missionário e seguir os passos de Jesus mundo afora


Um missionário deve seguir alguns passos importantes em sua caminhada. A Agência de Saúde às Nações tem trabalhado na formação de missionários que querem atuar como voluntários em diversos estados do Brasil e em países do mundo que carecem de assistência médica e humanitária, suporte espiritual e atendimento humanitário.

Não basta apenas ter a vontade de ir para um país diferente. É necessário, antes de tudo, dar um bom testemunho cristão e ter vontade de servir a quem mais precisa. E para ajudar quem está em dúvida, a ASN preparou 10 dicas que podem te ajudar a tomar essa decisão.

1. Antes de tudo, o missionário deve dar bom testemunho

O cristão nasceu para ser luz no mundo. Quem quer sair mundo afora para pregar o evangelho deve, antes de mais nada, dar bom testemunho para as pessoas que estão ao seu redor. Peça sabedoria a Deus para que ele te livre do pecado e busque sempre em oração aproximar-se do Senhor.

2. Ore antes de tomar qualquer decisão

Antes de decidir por se tornar um missionário e pregar o evangelho em outro país, o cristão deve orar e pedir orientação a Deus para que a vocação seja confirmada. Muitas vezes, principalmente quando somos jovens, dedicamos nosso tempo em um projeto sem que o Senhor esteja à frente da iniciativa e acabamos perdendo um período precioso que poderia ser gasto com outros projetos de evangelismo.

3. Busque liderança e orientação do seu pastor

Um projeto missionário requer o apoio da comunidade e das lideranças de determinada igreja evangélica. Quando sentir o chamado para missões, fale com seu pastor, que pode orientar quanto aos passos a serem tomados para se tornar um missionário. A ASN Brasil requer que os voluntários tenham cartas de recomendação de seus pastores antes de participar de qualquer ação.

4. Tenha bastante motivação, mas tome cuidado com a ‘empolgação’

O campo missionário é o lugar ideal para quem quer conhecer outras culturas e ter contato com povos de todo o mundo. Mas cuidado: este não é o foco da viagem. Quem quer ser missionário precisa saber, antes de tudo, que o objetivo dos projetos de missões é levar a palavra de Deus a quem mais precisa. Os povos-alvo geralmente são carentes e precisam de atendimento em diversas áreas. Portanto, lembre-se: ‘missões não são viagens de passeio!’

5. Esteja preparado para eventos inesperados

É comum que na primeira viagem o missionário tenha um pouco de receio do que pode encontrar em terras estrangeiras. Para não ser pego de surpresa, ouça sempre as lideranças que já têm mais experiência e siga todas as orientações, antes, durante e depois da viagem. Muitos acontecimentos inesperados podem ocorrer e nada melhor do que ouvir quem já está há muito tempo ‘na estrada’.

6. Lembre-se: as missões continuam depois que você voltar de viagem

Depois que uma viagem missionária acaba, é normal que os voluntários ‘esfriem’ e percam um pouco da motivação. Não se esqueça de que tem muito trabalho a ser feito na sua cidade e na sua região. Ore para que Deus te dê motivação para continuar a pregação do evangelho junto à sua família, amigos e colegas de trabalho e para que te capacite a servir em áreas carentes da sua comunidade.

7. Você não precisa sair do país para se tornar um missionário

Diversas agências missionárias, como a ASN Brasil, realizam viagens de missões a diversos estados do Brasil e interior goiano. Portanto, não é preciso sair do país para pregar o evangelho. São diversas opções locais com um custo menor e duração curta, o que pode facilitar para muitos voluntários que não dispõem de tempo e recursos financeiros sobrando.

8. Incentive pessoas que têm o chamado para missões

Uma das coisas boas do campo missionário é que as pessoas adquirem a capacidade de influencias as outras. Quando voltar do campo, compartilhe com a sua igreja, seus amigos e familiares as bênçãos que Deus proporcionou no país para onde você foi. Jesus alerta em João 4:35: “Não dizeis vós que ainda há quatro meses e vem a colheita? Eis que vos digo: levantai os vossos olhos e vede os campos, porque já estão brancos para a ceifa”. Muitos ainda precisam ouvir o evangelho. Fortaleça o trabalho missionário na sua localidade.

9. Participe de um dos projetos da ASN Brasil

A Agência de Saúde às Nações está com uma série de projetos para 2018 e que estão com as inscrições abertas. Se você se sente vocacionado para missões acesse o nosso site e conheça nossas ações.

10. Boa viagem!

Para onde quer que você vá, a ASN Brasil deseja uma excelente viagem e que Deus possa capacitar voluntários de todo o país que sentem no coração o desejo de pregar o evangelho mundo afora. Que o senhor Jesus Cristo conduza os passos de todos os missionários que querem pregar a maravilhosa graça da salvação para todos os povos.

Contribua com o trabalho da ASN Brasil

Conheça a Agência Presbiteriana de Missões Transculturais, parceira da ASN Brasil

Por que a igreja deve participar ativamente da evangelização do mundo?


por Rev. Paulo Serafim | Missionário da APMT/IPB na Guiné-Bissau, África Ocidental.

O evangelista João, no capítulo 4 do seu evangelho, registra o famoso encontro de Jesus com a mulher samaritana. Jesus estava caminhando para a Galileia e passou por Samaria, caminho que era evitado pelos judeus, pois estes consideravam os samaritanos impuros. Mas como Jesus tinha o propósito de evangelizar uma mulher que necessitava da graça de Deus foi por aquele caminho.

Chegando a cidade de Sicar, onde havia uma fonte de água, vendo uma mulher que se aproximava, Jesus lhe pediu água e se apresentou como a água da vida, que saciaria a sua sede espiritual; isto é, sua necessidade de perdão e vida eterna. Entendendo que Jesus era o Messias, o enviado de Deus que judeus e samaritanos aguardavam, saiu correndo para a sua cidade contar as boas novas para seus conterrâneos. Neste intervalo, apareceram os discípulos pedindo para Jesus comer.

Assim como levou a mulher a compreender realidades espirituais, a partir de realidades físicas, Jesus também chama a atenção dos discípulos, a partir da colheita física para a colheita espiritual, para a evangelização do mundo. Pensando nisso, chamo sua atenção para o tema deste artigo: Por que a igreja deve participar ativamente da evangelização do mundo?[1] Primeiro, porque a evangelização é prioridade para Jesus.

No verso 31, do capítulo 4, João escreve: “Nesse interim…”, no intervalo de tempo entre a conversa de Jesus com a mulher e a sua ida à cidade afim de pregar para os moradores da cidade, os discípulos apareceram e rogaram para que Jesus comesse. Jesus respondeu aos discípulos, falando de outra comida, do alimento espiritual, porém, os discípulos que não presenciaram a conversa de Jesus com a mulher, não entenderam o que ele estava falando.

Foi nesse ponto que Jesus disse no verso 34: “A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra”. Jesus tinha um propósito a realizar: consumar a obra da redenção, salvando o seu povo pela sua morte e ressurreição. A sede e a fome física que tinha como homem não era mais importante do que o desejo de alimentar os famintos espirituais. Sua prioridade era salvar e buscar o perdido. Por isso, ia por toda a parte pregando o evangelho do reino, curando os enfermos e libertando os cativos do demônio.

Como Jesus, temos priorizado a evangelização? Temos priorizado a salvação dos nossos familiares, amigos e vizinhos que caminham como ovelhas que não têm pastor? Temos investido tempo, dons, oração, dinheiro e amor para alcançar pessoas que estão perto e longe de nós? Temos nos preocupado com as pessoas sem Cristo na nossa cidade, com os povos indígenas brasileiros, com aqueles que estão na cegueira espiritual no mundo islâmico, na Guiné-Bissau e no mundo?

Assim como Jesus, participemos da evangelização, pois segundo, ela é algo prioritário. Por isso, não podemos deixá-la de lado. Testemunhe para seus familiares, amigos e vizinhos. Ande com folhetos para distribuir. Convide pessoas para ouvir a Palavra de Deus nos cultos da igreja. Ore pela evangelização do mundo, invista financeiramente através dos dízimos e ofertas. A igreja também deve oferecer cursos, oficinas sobre evangelização, viagens missionárias e programar trabalhos evangelísticos com toda a igreja. Só que precisamos entender que evangelizar é um estilo de vida, é algo que deve ser feito todo dia e não somente quando tem um trabalho evangelístico realizado pela igreja.

A segunda razão porque a igreja deve participar ativamente da evangelização do mundo é que ela é urgente para Jesus. Jesus interpelou os discípulos: “Vocês dizem que faltam 4 meses para a colheita”. Era dezembro e a colheita acontecia em abril ou começo de maio. Eu, porém, vos, digo: erguei os olhos e vede os campos que já branquejam para a ceifa”. Na mente de Jesus, existe uma proximidade muito grande, embora também haja um contraste entre a colheita física e a espiritual. Devemos lembrar que nessa hora, Jesus e os discípulos contemplavam uma multidão de samaritanos que vinham até ele pelo testemunho da mulher samaritana. [2]

A colheita de grãos demoraria 4 meses, mas a colheita das almas já estava na hora. Ela era urgente, necessária e oportuna. Não havia necessidade de esperar para amanhã. As pessoas estão prontas para serem evangelizadas, para receberem as boas novas. Esse é o tempo da colheita, da evangelização. Até a volta de Cristo, temos a oportunidade de evangelizar o mundo. É algo que se deve fazer rápido, de forma urgente. Não podemos esperar.

Como diz uma música cantada nas igrejas guineenses, na língua Crioulo: “Ka bu pera amanhã camarada”, que significa: “não espere amanhã meu amigo”, amanhã pode ser muito tarde”. O dia é hoje, tanto da evangelização quanto da entrega da sua vida para Jesus. “Passa a Macedônia é ajuda-nos, continua sendo o clamor dos povos sem Cristo. Um fato comum que os missionários ao redor do mundo têm relatado é a indagação das pessoas que ouvem o evangelho pela primeira vez: “Por que vocês demoraram tanto para trazer essas boas novas ao nosso povo? Como ficarão nossos antepassados que morreram sem Cristo?”

Eu dei aula de evangelismo no curso de formação missiológica (CFM), e lá constatei que muitos alunos vieram de igrejas que não lhes deram nenhum treinamento de evangelismo. Quando não há ensino, treinamento, incentivo e exemplo por parte da liderança, fica difícil os membros perceberem a importância e a urgência da evangelização. Portanto, a começar dos líderes, despertemos nossos membros para a prioridade e a urgência da evangelização do Brasil e do mundo.

A terceira razão porque a igreja deve participar ativamente da evangelização do mundo é que ela é o instrumento de Jesus para essa tarefa. Quando Jesus disse: erguei os olhos e ponderar no espetáculo da aproximação dos samaritanos, bem como para considerar aquele grupo como um campo pronto para a colheita, isso indica claramente que o Senhor Jesus os está enviando para fazer essa colheita.[3] No verso 38, ele fala: “Eu vos enviei para ceifar”. No texto de Mateus 9, Jesus diz que a seara é grande e poucos são os trabalhadores, por isso, encoraja os discípulos que orem, pedindo mais trabalhadores. No capítulo 10 do mesmo livro, vemos o envio dos 12. Logo, a solução de Cristo para a grande colheita que é a evangelização do mundo são os seus discípulos, são seus seguidores, é a igreja, somos nós.

Jesus já havia comparado a evangelização do mundo a uma grande pescaria, por isso, transformou seus discípulos de pescadores de peixes em pescadores de homens. Agora ele compara a evangelização a uma grande colheita, onde seus servos, a igreja são os ceifadores, seus trabalhadores para cumprimento do seu propósito salvador no mundo. Portanto, nós somos o instrumento de Jesus para colher, para evangelizar o mundo.

Tanto a pescaria quanto a colheita exigem trabalho árduo, preparação, tempo, esforço e investimento. A disposição do nosso coração, a nossa vida, o nosso dinheiro entregue aos pés do Senhor, a nossa oração pela salvação dos pecadores, o trabalho dedicado de todos os membros da igreja na obra do Senhor, a pregação do evangelho na dependência do Espírito, são necessários para que esta grande colheita tenha êxito. Jesus poderia usar outro instrumento para fazer a grande colheita, mas ele preferiu usar a minha e a sua vida. Que grande privilégio e responsabilidade temos como igreja de Jesus.

Somos chamados a trabalhar na sua obra para que ela avance no mundo, como nos diz o hino 312, do nosso hinário: “Há trabalho certo para ti cristão, que demanda toda a tua devoção, vem alegremente, a Cristo obedecer, pois só tu, ó crente, o poderás fazer… Quantos há, sem a salvação, quantos que precisam de consolação! Como Cristo os ama, faze-os entender, pois só, tu o crente, o poderás fazer”.

A quarta razão porque a igreja deve participar ativamente da evangelização do mundo é que ela traz alegria tanto para Jesus quanto para a igreja. Jesus fala da alegria tanto dele, o semeador, quanto dos discípulos, os ceifeiros. Há alegria e recompensa para ambos. Jesus se alegra com os pecadores arrependidos se voltando para ele e nós nos alegramos vendo vidas sendo transformadas por Jesus e recebendo principalmente a vida eterna, inclusive nós. Uma das maiores alegrias depois da nossa salvação é ser instrumento para a salvação de outras pessoas. Já imaginou a alegria de chegar no céu e ver muitas pessoas que evangelizou? Já imaginou a alegria de Jesus?

Os discípulos se alegrariam em colher frutos que eles não plantaram em Samaria. Outros tinham semeado lá como Moisés que plantou a esperança messiânica na mulher samaritana, Jesus que a evangelizou e a mulher samaritana que se tornou a primeira missionária do Novo Testamento. No reino espiritual é comum que um colha o que outro semeou. Cada um de nós é ao mesmo tempo um ceifeiro, colhendo frutos que outras plantaram e um semeador da semente que produzirá uma colheita que outros irão colher. Por isso, tanto o semeador quanto o ceifeiro se alegram com esse plano divino: sempre haverá um campo para ser colhido.

Quando cheguei na Guiné-Bissau, um mês depois já estava batizando cerca de 20 pessoas que foram evangelizadas e discipuladas por meus antecessores. Colhi o que não plantei. No ano seguinte estávamos ordenando o primeiro pastor presbiteriano guineense: Malam Sanhá, em 26 de março de 2012. Tudo isso trouxe alegria para mim, para a igreja, para os nossos parceiros, para a AMPT e, principalmente para Jesus.

Em algumas igrejas não tem havido nova semeadura, só colheita. Com o tempo não haverá mais colheita. Não haverá mais crianças para serem ensinadas, não haverá mais adolescentes e jovens para professarem a fé, nem novos convertidos para serem batizados. A melancolia e a tristeza tomarão conta dessas igrejas, consequentemente haverá diminuição de membros e, até o fechamento das portas como igreja local, fato que já ocorre com frequência na Europa, EUA e agora com forte tendência no Brasil.

Discorri sobre a importância da igreja participar ativamente na evangelização do mundo. Apresentei quatro razões para isso: A evangelização é prioridade para Jesus; a evangelização é urgente para Jesus; a igreja é o instrumento de Jesus para a evangelização do mundo; e, a evangelização traz alegria tanto para Jesus quanto para a igreja. Acima de tudo, segundo toda a Bíblia, a evangelização glorifica a Deus e abençoa o mundo com a graça do evangelho de Jesus. Por isso, como igreja de Cristo, participemos ativamente da evangelização do mundo. Entregue sua vida a Jesus, seus dons, seu tempo, seu dinheiro, suas orações, seu testemunho e sua disposição de servi-lo, afim de que Cristo seja conhecido, vidas sejam salvas, Deus receba glória e nós nos alegremos, juntamente com ele.

[1] O texto bíblico que este artigo se baseia é: João 4.31-38.

[2] HENDRIKSEN, William. O evangelho de João. São Paulo, Cultura Cristã, 2004, p.232-233.

[3] HENDRIKSEN, 2004, p. 233.

Igreja Presbiteriana Manancial e ASN Brasil promovem ação na Bahia; inscreva-se


A Agência de Saúde às Nações – ASN Brasil e a Igreja Presbiteriana Manancial, de Brasília, farão uma série de ações humanitárias, assistenciais e evangelísticas na cidade de Malhada (BA), de 6 a 9 de setembro deste ano.

Para os voluntários que participam do projeto pela primeira vez, um treinamento será realizado no local. As inscrições já estão abertas.

Sob a coordenação do Ministério de Missões e Evangelismo da Igreja Presbiteriana Manancial e do missionário Bill Crente, a iniciativa tem entre seus objetivos levar apoio em Saúde para a comunidade local, que carece pela falta de políticas públicas voltadas ao setor. Dentistas, médicos, missionários e diversos apoiadores estarão presentes no projeto.

As inscrições já estão abertas. Para participar, é preciso enviar uma carta de recomendação do pastor da igreja de origem do voluntário e o comprovante de pagamento do valor referente ao transporte. As informações deverão ser direcionadas aos organizadores do projeto. Um ônibus sairá de Brasília no dia 6 de setembro, às 21 horas.

Informações

Inscrição: 300,00*
Realização: Igreja Presbiteriana Manancial
Coordenação: Bill Crente e Ministério de Missões e Evangelismo da Igreja Presbiteriana Manancial

Dados bancários

Igreja Presbiteriana Manancial
Banco do Brasil
Agência: 2887-8
Conta corrente: 16.264-7
CNPJ: 12.988.339/0001-27

Contatos

Telefone: (61) 4101-9788
(61) 9 9977-4460
E-mail: ig.presb.manancial@gmail.com
Facebook: facebook.com/ipmanancialdf
www.pregacoesevangelicas.com.br

*O valor pode ser parcelado em até 3x. A garantia de participação no projeto está condicionada ao pagamento da primeira parcela.

Campanha de Oração pelos missionários e missionárias da APMT em 2018


Transformando vidas: projeto da ASN e Semear chega a Córrego do Ouro


O projeto Semear, em  parceria com a ASN Brasil, continua levando esperança para pessoas e famílias que moram em regiões de difícil acesso do interior goiano.

Na última ação, em Novo Goiás, foram 79 atendimentos médicos e 20 atendimentos odontológicos, que mudaram a realidade da comunidade local, com a conscientização da população e oferecimento de tratamentos gratuitos.

No dia 16 de junho, o município de Córrego do Ouro também vai ser beneficiado pelas ações envolvendo o Projeto Semear e a ASN Brasil. Na cidade, a população já está esperançosa por este benefício.

Em todas estas atividades, um trabalho de evangelismo é realizado. De acordo com a presidente da ASN Brasil, “esta é uma forma de levar saúde espiritual ao povo de Córrego do Ouro, juntamente com a assistência odontológica e médica”.

Onde Cristo não fora anunciado


…e onde Cristo já fora anunciado

 

por Rev. Carlos del Pino | revdelpino@gmail.com

 

“A bênção do evangelho deve ser anunciada a ‘todo o mundo’, pois foi ‘todo o mundo’ que pecou e se distanciou culposamente de Deus”.

O título pode nos assustar um pouco, visto que fomos bem condicionados com a ideia de que o evangelho deve ser fundamental e prioritariamente pregado aos povos que nunca ouviram de Cristo. Considera-se hoje, de forma generalizada, que o verdadeiro trabalho missionário deve ser feito em contextos não-alcançados, citando-se inclusive vários versículos para confirmar-se essa teoria missionária. Em consequência, pregar a pessoas, ambientes, povos ou países onde Cristo já fora anunciado em algum momento da história tem sido uma proposta desprestigiada no meio evangélico e missionário, que não merece o devido apoio, que não recebe o devido respeito, que não deve ter o mesmo espaço em nossos discursos, cultos e orçamentos visto que, basicamente, isso não se considera como uma verdade bíblica ou, ao menos, já que não se considera como um método justificável, também não poderia ser considerado algo bíblico.

Nos esquecemos rapidamente que a palavra “nações” de Mt 28.19 vem precedida pela palavra “todas”, o que inclui necessariamente todos os contextos humanos de vida, os não-alcançados, os já-alcançados, os bairros ricos das nossas capitais, os desigrejados e qualquer outra terminologia que entre em moda. “Todas as nações” aponta para o “escopo da universalidade”[1] da missão de Cristo e da igreja. A expressão está vinculada e derivada de “toda a autoridade” (28.18) recebida por Cristo como resultado direto e inevitável da sua ressurreição (28.1-10): devido à realeza universal, absoluta e presente de Cristo, devemos discipular pessoas em todos os contextos humanos e sociais, em todas as regiões do mundo, em todas as épocas da história até que Cristo volte. “O senhorio universal de Jesus demanda agora uma missão universal”[2].

“Todas as nações” também responde ao conflito de entendimento que havia nos primeiros anos da igreja acerca de “gentios” e “judeus”. Inicialmente a igreja cria que a evangelização deveria ser restrita somente aos judeus (Mt 10.5-6), mas essa restrição passou a dar lugar a uma missão que se preocupa com a formação de discípulos de Cristo de todas as nações do mundo. Sabemos que “nações” (ethnê) é um termo que se usa, no contexto de Mateus, para referir-se aos gentios e que poderia significar a exclusão de uma missão aos judeus, restringindo a missão a um determinado grupo humano (os gentios). Entretanto, esse termo significa simplesmente que a missão que começou entre judeus deve estender-se necessariamente também aos gentios.

Além disso, “todas as nações” é uma expressão também mencionada em 24.9,14; 25.32 incluindo Israel nesse contexto humano geral e universal. Expressões paralelas também são usadas por Mateus, como “o evangelho será pregado na totalidade do mundo habitado” (24.14 – oikoumene), “vocês são a luz do mundo/humanidade” (5.14 – kosmou, 13.38), “em qualquer lugar do mundo/humanidade inteira (26.13 – en holô to kosmô)[3]. Mateus não ensina que Cristo fora enviado somente a Israel ou somente aos gentios; antes, a sua intenção é apresentar-nos Cristo como o único salvador de toda a humanidade (sem distinguir a humanidade por classes, raças, grupos, etnias, economia ou experiência religiosa prévia). De fato, Mateus se alinha a Dn 7.14 levando-nos como igreja a sempre reconhecer, conceitual, teológica e estrategicamente, que no Reino de Deus “a membresia não está baseada na raça/etnia, mas no relacionamento com Deus através do seu Messias (3.9; 8.11; 12.21; 21.28-32, 41-43; 22.8-10; 24.31; 26.13)”[4].

Ao comparar Gn 11.1-9 com Gn 12.1-3 compreendemos, também, que o anúncio do evangelho não pode ser restringido a determinados grupos humanos. Entre outros vínculos, destacamos 

a repetição de “toda a terra” e “todo o mundo” (mesma expressão no original) no capítulo 11. Ocorre uma vez no início (11.1), duas vezes durante a narrativa (11.4, 8) e duas vezes no final (11.9). Trata-se de uma frase que indica a “divina reversão das intenções humanas”[5] de tornar seu “nome” pecaminosamente famoso e auto-suficiente em relação a Deus. “Toda a terra” decidiu conscientemente fazer tijolos, construir a cidade com sua torre e firmar sua independência de Deus. Por sua vez, Deus respondeu com a dispersão de “todo mundo” por “toda a terra” e com o fim de suas intenções.

No capítulo 12, o chamado de Abraão de deixar sua “terra” e ir para uma nova “terra”, sob a direção de Deus, tem como objetivo que “seu nome seja famoso” devido à bênção de Deus (em contraste com o “nome famoso” devido ao afastamento de Deus – 11.4) e que “todos os povos da terra” sejam abençoados (não “confundidos” – 11.7,9). Assim, estabelecemos um quadro a partir do qual podemos definir claramente nossos conceitos e práticas missionárias: a bênção do evangelho deve ser anunciada a “todo o mundo”, pois foi “todo o mundo” que pecou e se distanciou culposamente de Deus.

Sendo assim, ao usar um conceito sociológico ou antropológico moderno para dar “sentido” ao texto bíblico, acabamos por alterar esse sentido que o texto bíblico tem por si mesmo.  Portanto, não nos cabe modificar a ação missionária da igreja, derivada da missão do Cristo ressurreto, ao restringi-la a um determinado grupo humano. A preocupação das Escrituras é que o evangelho seja vivido e compartilhado com todos os seres humanos, ou seja, Cristo deve ser anunciado e vivido por toda a igreja, entre todos os seres humanos supostamente “alcançados” ou supostamente “não-alcançados”. O único campo missionário da igreja, portanto, é a humanidade toda em todas as suas dimensões de vida!

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1. (MORRIS, The Gospel According to Matthew, p.746)

2. FRANCE, Matthew, p.413

3. BOSCH, Misión en Transformación, pp.90-91

4. FRANCE, Matthew, p.414

5. LEDER, Reading Exodus to Learn and Learning to Read Exodus, CTJ 34, p.13

ASN anuncia novos projetos missionários para 2018


A ASN Brasil está preparando diversos projetos para este ano. Se você sente o chamado para missões, esta é a sua oportunidade de servir a Deus em comunidades que não possuem acesso adequado a saúde e vivem em condições humanas precárias. Para participar, envie um e-mail para asnbrasil@hotmail.com e informe seu interesse.

Agenda

30 de maio a 03 de junho – ASN Brasil e ESA estarão em Lagoinha, no distrito de João Dourado (BA), levando assistência humanitária e de saúde para a comunidade local

23 a 27 de julho – ASN Brasil e ESA estarão em Sousa (PB), atendendo a comunidades de ciganos

6 a 9 de setembro – Viagem missionária da Igreja Presbiteriana Manancial. Será em Malhada (BA), a 700 km de Brasília

5 de maio (Novo Goiás) e 2 de junho (Córrego do Ouro) – Projeto SEMEAR estará nestas duas comunidades goianas levando atendimento médico e assistência humanitária

 

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O amor de Deus revelado a crianças deficientes de Guiné Bissau – Relato do campo missionário


Durante a viagem a Guiné Bissau, realizada pela Agência de Saúde às Nações em janeiro de 2018, tivemos o conhecimento da existência de uma casa onde moram crianças cegas e outras que possuem deficiência física ou mental. São crianças rejeitadas pela sociedade, ao ponto de serem abandonadas pela própria família por serem consideradas amaldiçoadas. Esta é uma crença bem presente neste país, em que pessoas diferentes são condenadas a viverem isoladas da sociedade.

Um homem cego que mora em Guiné, capital do país, sentiu na pele o que estas crianças têm sentido pela rejeição e abandono. Ele mesmo possui uma deficiência, mas mesmo em meio às dificuldades decidiu manter esta casa. Uma senhora também cuida deles, como se fosse mãe. Infelizmente, a verba disponível para a manutenção da casa e para o sustento de um total de 14 crianças não passa de 200 reais. O valor não é suficiente para manter o local e dar uma vida digna aos meninos e meninas abandonados.

Nós, da equipe da ASN Brasil, fomos àquela casa fazer uma triagem para identificar as necessidades odontológicas das crianças. O objetivo era fazer um diagnóstico para, no dia seguinte, leva-las para atendimento médico e dentário. Quando chegamos naquele lugar, observamos que as crianças não tinham o que comer, a não ser um pouco de arroz que estava sendo descascado por eles.

Deixamos uma oferta para que os mantenedores da casa pudessem comprar comida que durasse alguns dias. A reação deles foi imediata: deram muitas aleluias e glórias a Deus, em um momento de exaltação ao nosso senhor. A alegria tomou conta daquele lugar. A equipe da ASN ficou extremamente grata em poder levar um pouco de consolo àquelas crianças e esperança para o seu coração. Vimos muitos sorrisos naquele instante.

No dia seguinte, nossos missionários buscaram a todos em casa e as crianças foram levadas para a sede do projeto da ASN Brasil, onde receberam alimentação adequada. Foi oferecido atendimento médico e odontológico àquelas pessoas, inclusive para o senhor que toma conta daqueles meninos e meninas. Pudermos ver nos olhos deles a alegria de ter o sorriso e a saúde restaurados.

Tudo o que fizemos é pouco frente ao grande desafio que o Senhor tem colocado à nossa frente. Só o amor de Deus, que foi pregado e mostrado através das nossas atitudes, pode trazer a esperança de dias melhores àqueles pequeninos. Deus, que tira a dor do desprezo e enche o coração de alegria, que tira a fome enviando o suprimento na hora em que mais precisamos. Só ele pode preencher o vazio do abandono.

Obrigada, Deus do impossível!

Rosangela Verly
Presidente da ASN Brasil

Trabalho da ASN Brasil é destaque na Rádio Imprensa de Anápolis


Nesta segunda-feira (5), a ASN Brasil foi destaque na programação de Jornalismo da Rádio Imprensa de Anápolis, com a participação da missionária Patrícia Mota.

Ela falou sobre o último projeto que levou diversos profissionais para o Senegal e Guiné-Bissau, com o objetivo de prestar assistência humanitária e de Saúde a pessoas que moram em regiões com alta vulnerabilidade social.

A entrevista foi durante o Programa Imprensa Livre, apresentado pelo jornalista Nilton Pereira, o radialista Márcio Souza e o pastor Marco Aurélio, do Ministério de Anápolis da Igreja Assembleia de Deus.

A ASN agradeceu à diretora da Rádio Imprensa, Lídia Coelho Magalhães, pelo espaço concedido e pela importante parceria iniciada hoje para a divulgação dos trabalhos missionários da ASN neste importante veículo de comunicação.

A partir desta parceria, uma grande porta se abriu para que importantes projetos entre a ASN e a rádio sejam realizados em comunidades carentes. A entrevista completa pode ser acessada em facebook.com/asnbrasilong